Consumo de água de ovinos nativos em sistema intensivo de produção sob condições do semiárido brasileiro
Resumo
Objetivou-se avaliar a influência de diferentes níveis de concentrado na dieta de ovinos dos grupos genéticos Soinga e Santa Inês sobre o consumo de água em sistema intensivo de produção no semiárido brasileiro. O estudo foi conduzido no setor de Ovinocultura da Fazenda Experimental do Centro de Saúde e Tecnologia Rural da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), em Patos, Paraíba, Brasil. Foram utilizados 24 ovinos machos não castrados, sendo 12 animais de cada grupo genético, com aproximadamente 150 dias de idade e peso vivo inicial médio de 20 kg. O delineamento experimental foi inteiramente casualizado, em esquema fatorial 2 × 2, com observações repetidas no tempo, envolvendo dois grupos genéticos (Soinga e Santa Inês), duas relações volumoso:concentrado (50:50 e 70:30), dois horários de avaliação (08h00 e 15h00) e seis repetições. Foram monitoradas a temperatura do ar (TA), a umidade relativa do ar (UR) e a temperatura do globo negro (TGN), sendo calculado o Índice de Temperatura do Globo Negro e Umidade (ITGU). As condições ambientais registradas foram TA de 28,69 e 36,92 °C, UR de 53,87 e 29,44% e ITGU de 77,67 e 84,12, caracterizando situação de estresse térmico para os ovinos. O consumo médio de água não diferiu significativamente (P > 0,05) entre os grupos genéticos (2,57 ± 0,26 L/dia para Soinga e 2,53 ± 0,38 L/dia para Santa Inês) nem entre as dietas (2,66 ± 0,39 L/dia na relação volumoso:concentrado 50:50 e 2,43 ± 0,19 L/dia na relação 70:30). Entretanto, o consumo observado foi superior ao recomendado pelo NRC (2007) para ovinos em crescimento. Conclui-se que o consumo de água foi influenciado pelas condições ambientais do semiárido, sem diferenças entre os grupos genéticos e os níveis de concentrado avaliados, indicando a necessidade de novos estudos para aperfeiçoar as recomendações de oferta hídrica para ovinos criados nessas condições.