Efeito do estresse térmico sobre a reprodução animal em regiões tropicais: evidências para os sistemas de produção
Resumo
O estresse térmico representa um dos principais fatores limitantes da eficiência reprodutiva dos animais criados em regiões tropicais e semiáridas, comprometendo o desempenho produtivo e a sustentabilidade dos sistemas de produção. O presente trabalho teve como objetivo reunir e discutir evidências científicas sobre os efeitos do estresse térmico na reprodução animal, destacando seus impactos sobre machos e fêmeas e as principais estratégias de adaptação utilizadas em regiões de clima quente. Para isso, foi realizada uma revisão narrativa da literatura, baseada na análise de artigos científicos, livros, dissertações, teses e documentos técnicos relacionados ao tema. Os estudos demonstram que o estresse térmico promove alterações fisiológicas, metabólicas e endócrinas que comprometem o funcionamento do eixo hipotálamo-hipófise-gonadal, reduzindo a fertilidade, as taxas de concepção, a viabilidade embrionária e a qualidade seminal. Em fêmeas, observa-se redução da atividade ovariana, aumento das perdas gestacionais e menor eficiência reprodutiva durante os períodos de maior temperatura ambiental. Nos machos, as elevadas temperaturas comprometem a espermatogênese, reduzem a motilidade espermática e aumentam a incidência de alterações morfológicas dos espermatozoides. A adoção de estratégias de manejo ambiental, o planejamento reprodutivo e a utilização de genótipos adaptados às condições climáticas locais constituem alternativas importantes para minimizar os efeitos do estresse térmico e melhorar a eficiência reprodutiva dos rebanhos.