CISTERNAS E REPRODUÇÃO DA VIDA NO SEMIÁRIDO BAIANO

ENTRE O ACESSO À ÁGUA E OS LIMITES ESTRUTURAIS

Autores

Palavras-chave:

Semiárido, Cisternas, Reprodução da vida, Políticas públicas, Campesinato

Resumo

Este artigo analisa as políticas de convivência com o Semiárido brasileiro a partir da implementação de cisternas na comunidade rural de Jacaré, localizada no município de Tanque Novo (BA). Parte-se do pressuposto de que o acesso à água, embora fundamental, não pode ser compreendido de forma isolada das condições estruturais que organizam a reprodução da vida camponesa. A pesquisa adota uma abordagem qualitativa, baseada em levantamento bibliográfico, análise documental e trabalho de campo, incluindo 29 entrevistas semiestruturadas realizadas com moradores da comunidade. Os resultados indicam que as cisternas representam um avanço significativo na mitigação da insegurança hídrica, ao garantir o acesso à água para consumo humano e reduzir a dependência de fontes externas. Contudo, evidenciam também limites importantes, sobretudo no que se refere à ausência de tecnologias voltadas à produção, o que impede a ampliação das atividades produtivas e a geração de renda. Nesse contexto, a permanência das famílias no território ocorre sob condições restritas, marcadas pela dependência de políticas compensatórias e pela baixa autonomia econômica. A análise revela uma contradição central: ao mesmo tempo em que as cisternas contribuem para a melhoria das condições de vida, não promovem transformações estruturais nas bases da desigualdade no Semiárido. Conclui-se que políticas de acesso à água, quando não articuladas a estratégias mais amplas — como acesso à terra, crédito e assistência técnica —, tendem a operar como mecanismos de estabilização social, limitando seu potencial transformador.

Biografia do Autor

JÂNIO ROBERTO DINIZ DOS SANTOS, Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia

Possui graduação Licenciatura Plena em Geografia pela Universidade Federal de Sergipe (1984), Mestrado em Geografia Humana pela Universidade Federal da Bahia (2004) e Doutorado em Geografia Humana pela Universidade de São Paulo (2009). Professor Pleno da UESB, atua nos cursos de Graduação e Pós-Graduação (Lato Sensu e Stricto Sensu) em Geografia. Coordenador do Grupo Trabalho, Mobilidade e Relação Campo-Cidade (UESB/CNPq). Pesquisador do Grupo Estado, Capital, Trabalho e as Políticas de Reordenamentos Territoriais (GEPCT/UFS/CNPq) e do Grupo Ideologia e Luta de Classes (GEILC/UESB). Tem experiência na área de Geografia, com ênfase em Geografia Agrária, Geografia Regional e Trabalho, atuando principalmente nos seguintes temas: relações de produção no campo, mobilidade do trabalho, Desenvolvimento Desigual, Reestruturação do Capital no campo, Movimentos sociais rurais, Geografia Regional, Análise Regional, Relação Campo-Cidade.

Downloads

Publicado

2026-05-16

Edição

Seção

Artigos Científicos

Categorias